domingo, 10 de julho de 2016

Poema esdrúxulo

saiu do facebook e foi à via pública

trajava calça jeans e blusa preta básica

seu rosto era pintado em estilo gótico

mas preferiu guardá-lo atrás de uma máscara

cantou e caminhou com a multidão de anônimos

gritou palavras de ordem no seu tom colérico

empunha uma bandeira megalomaníaca

e também um cartaz com uma frase irônica

a marcha foi contida a menos de um quilômetro

da entrada principal do Palácio Monárquico

deparou-se com a tropa e seu aparato bélico

com balas de borracha e spray de ardente líquido

escudos, cassetetes e bombas legítimas

que provocavam dor e instalavam o pânico

voltou-se contra aquele governo despótico

quebrou os vidros com um paralelepípedo

foi presa e enquadrada como sendo vândala

e apareceu de noite em programa fantástico

reparou que vivia situação esdrúxula

condenada à torturante pena máxima

de ver a reeleição de um desgoverno histórico

aliado a um congresso de antibióticos

preferia acabar como presa política

a apoiar ditadores fugidos do cárcere

* ‘Poema Esdrúxulo’ foi selecionado para publicação pela I Mostra Nacional de Poesia da Reforma Agrária "Versando Rebeldia" do Festival de Arte e Cultura da Reforma Agrária.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Resultado do Concurso Literário Aldenor Pimentel 2016

Poesia (Adulto: a partir de 18 anos)
1º lugar: Calo no Pé (Gabriel Alencar)
2º lugar: Garimpo (Don)
3º lugar: Amor Guardado (Eden Picão)

Conto
1º lugar: O Homem que Tentou Fugir com a História (Marcelo Perez)
2º lugar: Garimpeiro (Ricardo Dantas)
3º lugar: Um Dia de Chuva (Gabriel Alencar)

Ao todo, foram 21 inscritos. Não houve inscrições nas modalidades Poesia (Categoria Infantojuvenil: até 17 anos) e Videopoesia.

A premiação será realizada no dia 7 de julho de 2016, a partir das 21 horas, no Centro Amazônico de Fronteiras, em Boa Vista, durante o XV Intercom Norte (Congresso de Ciências da Comunicação na Região Norte).

Os finalistas do concurso receberão prêmios em dinheiro, livros e/ou vale-livros, e ainda um exemplar da antologia editada com todos os contos e poemas premiados, e textos literários de convidados.

domingo, 5 de junho de 2016

Concurso Literário Aldenor Pimentel - inscrições encerradas

Ao todo, 21 inscritos. Entre eles, literatura de Rorainópolis e Amajari.

Agora é com a Comissão Avaliadora.

A premiação será no dia 7 de julho na UFRR.

Os finalistas serão comunicados com antecedência.

sábado, 16 de abril de 2016

Regulamento do Concurso Literário Aldenor Pimentel 2016

Regulamento
Concurso Literário Aldenor Pimentel 2016

1.      DOS OBJETIVOS
1.1.   O Concurso Literário Aldenor Pimentel 2016, evento promovido pelo Espaço Cultural Harmonia e Ritmo, como parte da programação do Festival Literário Harmonia e Ritmo, tem por objetivo incentivar a produção literária em Roraima e descobrir novos talentos da literatura no Estado;
1.2.   O Concurso Literário é uma homenagem a Aldenor Pimentel, jornalista, roraimense, doutorando em Comunicação, poeta, escritor, cineasta, militante e consultor na área da cultura. Aldenor Pimentel recebeu mais de dez prêmios e menções honrosas em concursos nacionais de contos e poemas e é autor do livro Deus para Presidência (2015);
1.3.   Esta edição homenageia ainda a professora e coreógrafa que introduziu a dança de salão em Boa Vista, em 1992. Isabel Santos já apresentou espetáculos dentro e fora do Estado, além de participar, com o projeto Tango Magia, do Campeonato Mundial de Tango, na Argentina.
2.      DAS PARTICIPAÇÕES
2.1.   Poderão concorrer autores residentes em Roraima, independente de nacionalidade, com obras inéditas, com temática livre, em Língua Portuguesa, desde que observem as particularidades de cada modalidade e categoria;
2.2.   A publicação em blogs pessoais e redes sociais não invalida o ineditismo;
2.3.   As obras da modalidade Videopoesia estão dispensadas da obrigatoriedade de ineditismo;
2.4.   Fica vetada a participação de membros das Comissões Organizadora e Julgadora.
3.      DAS MODALIDADES E CATEGORIAS
3.1.   Modalidade Poesia:
3.1.1.     Categorias: Infantojuvenil (até 17 anos de idade); e Adulto (a partir de 18 anos de idade);
3.2.   Modalidade Conto:
3.2.1.     Categoria: única, independente da idade;
3.3.   Modalidade Videopoesia
3.3.1.     Categoria: única, independente da idade.
4.      DAS INSCRIÇÕES
4.1.   As inscrições estarão abertas de 1º a 30 de maio 4 de junho de 2016, às 23h59;
4.2.   Somente serão aceitas inscrições via correio eletrônico, endereçadas a aldenorpimentel@gmail.com, com o texto literário escrito em anexo, em formato .doc ou .docx, no caso das modalidades Poesia e Conto;
4.3.   No caso da modalidade Videopoesia, deve ser enviado o link do vídeo em sites como youtube, vimeo, etc.
4.3.1.     O poema apresentado no videopoema deve ser exclusivamente de autoria de Aldenor Pimentel (ver anexo);
4.3.2.     O videopoema deve conter os créditos do texto literário e da equipe participante no vídeo, inclusive da locução e da trilha sonora, se houver;
4.4.   No corpo do e-mail, deve ser informado: título do trabalho (poema, conto, videopoema), nomes completo e artístico do(a) contista/poeta/diretor(a), modalidade e categoria, data do nascimento, RG, endereço completo, telefone de contato e currículo ou texto de apresentação resumido;
4.5.   Cada participante só poderá concorrer com um único trabalho em cada modalidade;
4.6.   Os poemas devem ter até 40 versos (linhas) e os contos, até 5.000 (cinco mil) caracteres, com espaço.
5.      DA AVALIAÇÃO
5.1.   Não caberá recurso à decisão da Comissão Julgadora;
5.2.   A Comissão Julgadora poderá conceder Menção Honrosa para um ou mais trabalhos, se assim julgar necessário;
6.      DO RESULTADO E DA PREMIAÇÃO
6.1.   O resultado será divulgado por e-mail aos inscritos em data anterior à premiação;
6.2.   Será concedida premiação aos três primeiros colocados de cada categoria;
6.3.   A premiação consistirá na entrega de certificado e um kit de livros e/ou vale-compras em livraria, em valores estipulados pela Comissão Organizadora;
6.4.   A premiação será realizada, em Boa Vista-RR, provavelmente no dia 7 de julho de 2016;
6.5.   Os trabalhos vencedores poderão ser apresentados, no todo ou em parte, na noite de premiação, pelo(a) autor(a) ou por terceiros, indicados pela Comissão Organizadora.
7.      DISPOSIÇÕES GERAIS
7.1.   A inscrição implica automaticamente a aceitação das condições deste regulamento, bem como a autorização para a publicação das obras inscritas em quaisquer suportes que a Comissão Organizadora julgar conveniente. Portanto, o(a) autor(a) assume total responsabilidade pela autoria, podendo responder por plágio, cópia indevida e demais crimes previstos em lei, inclusive por trilhas sonoras e imagens usadas indevidamente nos videopoemas;
7.2.   Os premiados concordam e permitem a divulgação de seus nomes e imagens para a divulgação do concurso, sem qualquer ônus para os realizadores;
7.3.   Caso haja publicação em forma de livro dos textos literários finalistas deste concurso, cada autor publicado receberá, a título de direito autoral, um exemplar da antologia;
7.4.   O não cumprimento de qualquer item do regulamento implicará desclassificação automática da obra inscrita;
7.5.   A Comissão Julgadora poderá não atribuir qualquer dos prêmios desde que considere haver falta de qualidade nos trabalhos apresentados;
7.6.   Os casos omissos serão resolvidos pela Comissão Organizadora.

Anexo: Poemas de Aldenor Pimentel publicados
1.      Herança Negra
1.1.   Selecionado para publicação, no livro Poesia Todo Dia, pelo concurso cultural Poesia Todo Dia, realizado em 2013 pela editora AlphaGraphics.
1.2.   Menção honrosa do XI Prêmio Literário Galinha Pulando (2014), realizado pelo escritor Valdeck Almeida de Jesus, sendo selecionado para publicação: http://www.perse.com.br/novoprojetoperse/BSU_Data/Books/N1420918014501/Amostra.pdf;
2.      Êxodo
2.1.   Selecionado para publicação pelo projeto Folhinha Poética 2015: https://www.dropbox.com/s/tcw4zgxpvnde73a/matriz%202015.pdf?dl=0.
3.      Poema de sacanagem
3.1.   Selecionado para publicação, pelo X Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus, no livro ‘Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus – 2013: https://www.dropbox.com/s/tcw4zgxpvnde73a/matriz%202015.pdf?dl=0
3.2.   Publicado na Revista Pacheco: http://revistapacheco.blogspot.com.br/2014/06/cafe-literario-poema-de-sacanagem.html;
3.3.   Uma versão ampliada do poema foi publicada ainda no livro Retalhos II, organizado por Aroldo Pinheiro.
4.      Sem Razão
4.1.   Selecionado para publicação no site da Revista Philos: camaracartonera.wordpress.com/2016/01/10/poesia-lusofona-sem-razao-de-aldenor-pimentel.


Obs.: todos esses poemas podem ser encontrada no blog artedealdenorpimentel.blogspot.com

Baixe a versão do regulamento em pdf.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Um Dia Coletivo



Sinopse: Joselma acorda cedo e volta tarde para casa. Nesse meio tempo, passa diversas horas dentro de ônibus ou a espera deles. E não está só nessa viagem nada tranquila.

Ficha técnica:
Direção, som, imagens, montagem e arte final: Aldenor Pimentel
Música: Sinfonia N. 9, de Ludwig van Beethoven

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Olhar


Eles andavam nus. Sempre andaram. E nada de errado viam nisso. Olhar o corpo nu do outro era tão corriqueiro e puro como contemplar o pôr do sol ou responder a um sorriso com outro.

Naquele povoado, não havia escrita, não havia papel. Tudo que aprendiam registravam no próprio corpo. Tatuavam na pele sinais de fácil compreensão. E aprendiam uns com os outros pelo olhar. Os corpos nus eram como livros abertos, prontos para serem lidos. Assim, tudo era partilhado e nenhum saber se perdia.

Quando alguém morria, repetia-se o ritual. O corpo era exposto na praça central e todo o povoado se reunia para ver. Passavam dias e dias olhando o corpo exposto, até terem certeza de que nenhum sinal tatuado passara despercebido por ninguém. Em seguida, cobriam todo o corpo com fibras de uma árvore e o enterravam onde não pudesse ser visto. Depois de uma vida inteira, sua missão estava cumprida.

Com o tempo, o inevitável contato com outros povos aconteceu. Um deles em especial, que se instalou pelas redondezas, cobria-se dos pés à cabeça. Não se olhavam nos olhos. Aliás, não se olhavam. Acreditavam que todo olhar era invasivo e, por isso, deveria ser evitado.

Pouco a pouco, os mais jovens daquele povoado passaram a sentir vergonha do próprio corpo. Começaram a esconder as partes íntimas, as pernas, o tórax, o abdômen e, no final, já cobriam o corpo todo. Quando, entre eles, alguém por deslize deixava à mostra algum pedaço de pele, os demais desviavam o olhar. E se o distraído não se emendasse, voltando à mesma conduta, era duramente repreendido.

O conhecimento daquele povo, preservado por gerações e gerações, estava ameaçado. Eles já não aprendiam nada novo. E, assim, a extinção de todos eles parecia tão certa quanto o apagamento para sempre dos sinais tatuados, em um passado distante, no corpo dos mais velhos.

Quando morreu o mais ancião dos seus anciões e um grupo já preparava o enterro em um caixão lacrado, um dos jovens decidiu não fechar os olhos para o que acontecia. Ao cair em si, rasgou as próprias vestes, ficando nu diante de seus pares. Aos olhos que o evitavam, gritou para que todos ouvissem:

— Amigos, olhem aqui: sempre andamos nus e isso nunca nos pareceu feio ou sujo. De uma hora para outra, fomos convencidos de que devemos sentir vergonha do nosso corpo e de que nos olhar mutuamente é repulsivo. Com isso, deixamos de aprender com o outro e com tudo aquilo que o nosso corpo tem a oferecer. Assim, negamos a nós próprios. Desfiguramo-nos. Tornamo-nos irreconhecíveis.

Envergonhados, não mais por causa do próprio corpo, mas pelo comportamento que tiveram nos últimos tempos, despiram-se todos, deixando à mostra corpos vazios de tatuagens. Juntos, tiraram de dentro do caixão o corpo do ancião. Toda sua pele estava tatuada. Ao vê-lo, deram-se conta do quanto ele era sábio e do quanto perderiam se o enterrassem sem lê-lo.

Fizeram o ritual. Todo o povoado reunido olhava cada detalhe do corpo do ancião coberto de tatuagens. Como era de se esperar, dessa vez o ritual demorou mais do que o costume. Afinal, havia muito que aprender, ainda mais depois de tanto tempo sem exercitar o olhar para o outro.

Naquele dia, aprenderam muitas coisas. Principalmente, que nunca mais deveriam se envergonhar de quem eram. Nos olhos de cada um, era possível ler o quanto estavam felizes por ainda viverem e do quanto estavam certos de que só estavam vivos porque não deixaram de ser eternos aprendizes. 

O conto ‘Olhar’ foi selecionado para publicação na primeira edição on-line da Revista Philos.


** Este e outros contos estão na obra Livrinho da Silva. Para aquirir o livro, clique aqui.
Leia outros contos do mesmo autor:
Novos Franciscos
Vermelho coração

domingo, 31 de janeiro de 2016

Deus para presidência (trecho do livro)


Depois de uma cassação, duas renúncias e um impeachment, a instabilidade política instalava-se no País. O povo saiu às ruas novamente por mudanças. Uma sensação e um grito ganhavam corpo, em meio àquele misto de indignação e desesperança: de que só Deus poderia resolver aquela situação.
Os grandes líderes da República, de todas as tendências partidárias e ideológicas, decidiram se reunir e atender ao clamor das ruas: conduziram, por unanimidade, Deus para presidente. Não havia nome mais oportuno: Ele gozava de popularidade e era relativamente bem quisto ou, pelo menos, tolerado pela maioria, da ala mais conservadora à mais radical.
Deus impôs uma condição: só assumiria por vontade soberana da totalidade da Nação. E assim foi: a voz do povo foi a voz de Deus.



















* Confira a história completa. Adquira o livro direto com o autor. Mande seu pedido para aldenor_pimentel@yahoo.com.br

Sem Razão


 
* O poema ‘Sem Razão’ foi selecionado para publicação no site da Revista Philos, para a revista Gente de Palavra, para a edição trimestre I – 2017 da Revista Semeadura e para a Revista LiteraLivre (5ª ed.). Também selecionado pelo II concurso do Projeto Poesia na Rua (Garanhuns/PE) e fez parte em 2017 da exposição Poesia Agora, na Caixa Cultural Rio de Janeiro.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Avante

Era mesmo um homem à frente do seu tempo. O que lhe rendeu duas multas por excesso de velocidade e alguns pontos na carteira.

*O microconto ‘Avante’ foi selecionado para publicação pelo 5º Concurso de Microcontos de Humor de Piracicaba, promovido pela Prefeitura de Piracicaba. Dos 274 inscritos de 22 estados brasileiros e de Portugal e Japão, 100 textos de 140 caracteres foram escolhidos para a coletânea. Pode ser acessado no site da Biblioteca de Piracicaba.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

O dia em que meus escritos já não eram meus

Eu andava na rua apressado. Nas mãos levava uma pequena maleta. Dentro dela, livros. Meus livros. Desculpe, nem me apresentei. Meu nome é Pablo, Pablo Furtado. Sou escritor. Escrevo sobre a vida. E tento a vida ganhar com as letras que ganham vida pelas minhas mãos. Por isso escrevo. E escrevo muito. E ando muito também, pra vender minhas histórias. Passo o dia todo na rua. De um lado pro outro. De porta em porta. À procura de quem queira comprar os mundos que já criei. Pena haver tantos que não saibam ler poesia.
Um dia, como tantos outros, andando por uma rua deserta, ouvi uma voz em tom de ameaça: 

— Me passa esse bagulho agora!

Aquele sujeito obviamente não tinha ideia do que continha a maleta. Meus mais preciosos bens. Petrificado, eu não sabia o que fazer. Achando que eu não o ouvira, ele repetiu a sentença com mais veemência e em tom ainda mais ameaçador. Tentei argumentar que comigo só havia livros, mas ele tomou das minhas mãos a maleta, num golpe só, e correu. Fiquei ali sozinho, sem entender direito o que havia acontecido. Sentei no banco da praça ao lado e baixei a cabeça. Olhei pra dentro de mim e vi o homem que levara meus livros.

Imaginei o que ele faria com o conteúdo da maleta. Por curiosidade, folhearia um dos livros. A luz refletiria no papel em direção ao seu rosto. Suas pupilas dilatariam e ele veria melhor. Ao enxergar daquele jeito pela primeira vez, um discreto sorriso visitaria sua face. Ele passaria os olhos, linha a linha, da primeira à última página. Aqueles escritos não mais me pertenciam e ele já não seria mais o mesmo. Estava escrito e se cumpriu. Sempre soube que o que escrevo mudaria a vida de alguém.

De volta à praça, pensei comigo mesmo que deveria agradecer àquele homem pelo que me fizera. Nunca ninguém valorizou minha arte daquele jeito. Eu me senti o escritor mais importante do mundo. Agora ando por aí, com maletas e mais maletas abarrotadas com meus livros, à espera de que eles sejam levados outra vez. Na primeira página de cada um deles, uma dedicatória escrita à mão: “Com carinho, àquele que, tomando estes escritos para si, merece não um duro castigo, mas a minha reverência.”

* Este e outros contos estão na obra Livrinho da Silva. Para aquirir o livro, clique aqui.
** O conto 'O dia em que meus escritos já não eram meus' ficou em 3º lugar no I Concurso Literário ICBIE 2015, na categoria Conto e foi publicado no livro ‘Antologia das Obras Premiadas - 1º Concurso Literário ICBIE 2015’, da Editora Pinaúna. O ICBIE – Instituto Cultural Brasil Itália Europa – recebeu 58 obras para o concurso. 'O dia em que meus escritos já não eram meus' foi a única obra premiada da Região Norte.

domingo, 31 de maio de 2015

Índios na Cidade, Vidas em Travessia

No documentário Índios na cidade, vidas em travessia, atuei como diretor, roteirista e produtor.


Documentário da TV Universitária, exibido no dia 19 de abril de 2014, na TV Brasil. Foi selecionado para o V Festival de Cinema Curta Amazônia (2014), a I Mostra de Cinema Universidade Anhembi Morumbi (2014) e o II Festival O Cubo de Cinema (2015).

Sinopse
O documentário Índios na cidade, vidas em travessia relata a história de vida de indígenas que moram na área urbana de Boa Vista, capital de Roraima. São artistas plásticos, artesãos, militantes de organizações sociais, professores, estudantes de pós-graduação. Como vivem? O que fazem? Como são tratados pela sociedade não indígena? O documentário conta como pessoas que nasceram em uma aldeia tiveram de se adaptar à vida urbana, como fazem para manter as tradições e a identidade de seu povo. Índios na Cidade, Vidas em Travessia traz ainda a visão de antropólogos, sociólogos e historiadores sobre as origens e implicações desse fluxo migratório.

Ficha técnica

Direção: Aldenor Pimentel
Codireção: Rebeca Alencar
Roteiro: Aldenor Pimentel
Imagens: Lacerda Carvalho, Felipe Reis, Daniel Carvalho, Arquivo TVU/RR
Produção: Rebeca Alencar, Débora Barros, Jéssica Cruz, Raísa Carvalho, Aldenor Pimentel, Narayana Moura, Maêndria Costa, Pedro Alencar
Montagem e arte final: Juliana Barros
Edição de áudio: Grazziano Silva
Trilha sonora: Cláudio Lavôr
Música incidental: Ser índio e só (Zeca Preto e Nêuber Uchôa) e Tudo Índio (Eliakin Rufino)
Transporte: Damião Loureto

sábado, 1 de novembro de 2014

Palavras da patroa

Ao ver o mínimo no meu contracheque, ela berrou: 
— Eu acho é pouco!
E com razão.

*O  microconto ‘Palavras da patroa’ foi selecionado para publicação pelo 4º Concurso de Microcontos de Humor de Piracicaba, promovido pela Secretaria Municipal de Ação Cultural de Piracicaba. Dos 294 inscritos de 22 estados brasileiros e de Portugal, França, Japão e Alemanha, 100 textos de 140 caracteres foram escolhidos para a coletânea. Pode ser acessado no site da Biblioteca de Piracicaba.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O abajur de Luzia

Luzia mora com os avós. A menina tem um quarto só para ela, mas não gostava de dormir sozinha, porque sentia medo e ficava a noite toda chamando por eles. Seu avô e sua avó até lhe diziam que não havia motivo para ter medo, mas não adiantava muito. Luzia continuava inquieta e acabava não dormindo direito.
 
Na manhã seguinte a uma dessas vezes, o avô de Luzia acordou bem cedo e foi até o porão. Lá, levantou a tampa do baú de madeira antigo, revirou as tralhas que guardava ali dentro e de lá tirou um abajur empoeirado. Passou um pano úmido no abajur, que agora já nem parecia tão velho. Depois, ficou horas trabalhando no conserto do objeto, que há tempos estava sem funcionar. Por fim, ele enfeitou o abajur com adesivos coloridos, que combinaram perfeitamente com a decoração do quarto da menina.

Na hora de dormir, Luzia e os avós foram até o quarto dela. Seu avô disse “faça-se a luz!” e ligou o abajur na tomada. Funcionou! Feito mágica, o abajur iluminou todo o quarto. Os olhos da menina brilhavam fascinados com a luz que irradiava da pequena lâmpada colorida. Com o abajur ligado, ela viu espalhadas pelo teto pequenas estrelas feitas de papel recortado. Era mais um agrado de sua avó. Naquela noite, Luzia dormiu com um largo sorriso nos lábios.

Quando acordou, a primeira coisa que fez foi correr na direção dos avós para abraçá-los. 

– Vó, eu nem senti medo! – disse a menina. 

A avó fez um cafuné em Luzia e respondeu: 

– Eu vi, minha filha. Parabéns! Estou muito orgulhosa de você.


* O conto ‘O abajur de Luzia’, 6º colocado no 3º Desafio Literário Farol Fantástico, foi selecionado para publicação na revista Farol Fantástico - revista eletrônica de publicação trimestral voltada exclusivamente para a literatura infanto-juvenil.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A multiplicação dos pães partidos

Depois de um dia intenso de trabalho, Emanuel e seus amigos atravessaram a ponte de bicicleta, distanciando-se da cidade, em busca de um lugar deserto para descansar. Chegando lá, no ponto mais alto, de onde era possível ver todo o povoado, perceberam que não estavam sós. Emanuel viu nos olhos da multidão o cansaço por levar a vida que levavam e teve compaixão daquele povo.
Alguns amigos de Emanuel lhe disseram que deveriam rezar para que aquelas pessoas mudassem de vida. Elas, que trabalhavam duro, de sol a sol, para receber um dinheiro pingado, que mal dava para sustentar tantas bocas em casa, que, de segunda a segunda, andavam de lá para cá, pela cidade, dentro de ônibus lotados, e que, depois disso tudo, só queriam saber de assistir à novela e dormir, para, como sempre, acordar bem cedo no outro dia.
Um amigo sugeriu que arrecadassem comida para doar àquela gente faminta, mas Emanuel fez diferente, porque sabia que isso não mataria a fome do povo. Emanuel perguntou a eles o que tinham e recebeu como resposta: “muita fome, pouco pão e muitos braços.” Sem contar inutilidades como promessas não cumpridas, um lado de uma sandália, chaveiros, camisas de candidatos e botons.
Emanuel, então, orientou o povo a se reunir em grupos, alguns menores, outros maiores, e que, nesses grupos, tudo fosse partilhado. E assim fizeram. Eles tinham tudo em comum: comida, bebida, suas dores e angústias, e sonhos, muitos sonhos de uma vida melhor.
Foi então que perceberam que juntos poderiam acabar com aquilo que lhes causava fome. Decidiram não confiar em quem só lhes dava cesta básica a cada quatro anos. O tempo passou e a vida deles mudou da água para o vinho. Milagre? Não, não foi milagre. Eles apenas resolveram colocar a mão na massa, em vez de esperar que o pão nosso de cada dia caísse do céu. Não só fizeram questão de decidir os nomes de quem estaria à frente do lugar, como passaram a participar ativa e cotidianamente das decisões sobre o que era melhor para o pedaço de chão em que pisavam.
No lugar de expressões de cansaço, apareceram sorrisos e esperança. E no lugar da fome, trabalho digno, crianças na escola, filhos na universidade. Mas nada aconteceu de um dia para o outro. E é por isso que até hoje eles seguem as palavras de Emanuel.

* O conto ‘A multiplicação dos pães partidos’ foi publicado na revista Pacheco.

domingo, 7 de setembro de 2014

Êxodo


* O poema ‘Êxodo’ foi selecionado para publicação no Livro da Tribo, da Editora da Tribo e nas revistas Semeadura (ed. trimestre I – 2017) e LiteraLivre (7ª ed.), e pelo projeto Folhinha Poética 2015. Foi ainda selecionado em 2016 pelo projeto Declame para Drummond.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Obra-prima

Os dois tiveram o mesmíssimo sonho. Artistas plásticos em começo de carreira, sonharam que chegara o dia que tanto esperavam: seu talento seria finalmente reconhecido. Antes do pôr-do-sol, eles pintariam o mais belo quadro que o mundo já vira, a obra-prima das obras-primas, a obra de arte para a qual Da Vinci sequer teve a ousadia de se inspirar. Mas uma era a condição: eles teriam de pintá-la a quatro mãos. Nada demais, não fosse um detalhe: mesmo morando na mesma cidade, ainda não se conheciam. 

Levantaram-se da cama bruscamente, ainda sonolentos. A janela anunciava o nascer do sol. O sonho não lhes saía da cabeça. Deveriam levá-lo a sério? Que loucura! Pintar um quadro com um desconhecido e em poucas horas? E ainda mais aquela que seria a maior obra de arte de todos os tempos? Ainda que confusos, do sonho lembravam que o encontro entre os dois seria no centro da cidade. Assim que se encontrassem, reconhecer-se-iam mutuamente, mas não sabiam exatamente como. 

Tomaram um banho rápido. Vestiram uma calça qualquer e a primeira camisa que encontraram, exatamente aquela jogada sobre um dos cavaletes. Tomaram café às pressas. Aliás, nem o tomaram todo. Um pouco do café caiu acidentalmente na camisa que vestiam. Saíram correndo de casa assim mesmo, em direção ao centro da cidade. Realmente precisam apressar-se. Eles tinham somente até o sol se pôr para trazer ao mundo a arte suprema. 

Algo lhes dizia que deveriam ir até o marco zero da cidade. E foram. Chegaram quase no mesmo instante e se reconheceram na mesma hora. Correram um em direção ao outro, como se fossem velhos amigos que não se viam de longa data. Abraçavam-se e gargalhavam extasiados de felicidade. Vestiam a mesma calça jeans e a mesma camisa manga curta de meia branca, manchada de tinta e com respingos de café. Era o sinal. Eram eles mesmo. 

Não falavam nada. Não havia o que dizer. Nos olhos um do outro viam o quanto tinham em comum, além da profissão e da cidade natal. A vontade de viver da arte. O mesmo estilo. As mesmas influências. Os mesmos gostos. O sonho de seus traços mudarem a forma de a humanidade ver o mundo. O sonho que tiveram na noite passada... e a certeza de que aquele era mais que um sonho... Céus! O sonho! - pensaram eles. Não poderiam mais perder tempo. O sol marcava meio-dia. 

Em poucos minutos decidiram questões práticas como a composição do quadro, a técnica, o estilo, o tamanho da tela, a profundidade, a luz, as cores. Aparentemente, tudo resolvido, um deles puxou o outro pelo braço: 

— Vamos! Meu ateliê fica pra lá. 

O outro não arredou o pé: 

— Achei que fôssemos pintar no meu ateliê! 

E começaram a discussão. Cada um apresentando mais e melhores argumentos que o outro de que o seu ateliê era o local mais adequado para nascer a obra de arte. Porque era mais amplo. Mais confortável. Mais inspirador. Por que lá havia acervo de material suficiente para finalizar o quadro e, ainda que viesse a faltar algo, perto havia onde comprar os suprimentos necessários. 

Os argumentos e contra-argumentos não tinham fim. E as horas se passavam. E ali eles permaneciam, sem chegar a uma decisão. Até que o sol se pôs. Enfim, escureceu. Não havia mais nada a fazer. Com a luz do sol, foi também a chance de a humanidade ver a obra-prima das obras-primas. 

Parece que tudo não passara de um sonho. Ao menos, foi o que pensaram ao levantar da cama bruscamente, ainda sonolentos. A janela anunciava o nascer do sol. O sonho não lhes saía da cabeça. Deveriam levá-lo a sério? Que loucura! Deixar de produzir a maior obra de arte de todos os tempos por não conseguir chegar a um consenso sobre onde pintá-la? Eles não tinham tempo a perder. Tomaram um banho rápido, vestiram uma calça e uma camisa qualquer, tomaram café às pressas e saíram correndo em direção ao centro da cidade. 

* O conto 'Obra-prima' foi selecionado para publicação, pelo II Concurso Literário “O Velho Matemático”, no livro 'As Aventuras do Velho Matemático', ficando em 4º lugar no concurso, que contou com a participação de 113 escritores na modalidade conto. O livro pode ser adquirido com este contista ou com o organizador da coletânea, escritor Paulo Henrique Gonçalves. O conto também foi publicado na Revista Pacheco, na revista Desenredos e na revista Benfazeja.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Poema de sacanagem

Clinton fumou, mas não tragou
Lula bebeu, mas não caiu
Fidel pitou e tropeçou
Maluf diz: Pitta que partiu

Clinton gozou, mas assumiu
Hillary engoliu, mas se elegeu
Bush invadiu, pintou e bordou
Al Gore nem ganhou e nem perdeu

Lula foi traído, mas não viu
Collor confiscou, caiu, voltou
Tancredo venceu, mas não assumiu
Sarney até hoje é senador

Jefferson dedurou Ali Babá
Dirceu foi o Congresso que cassou
ACM teve que renunciar
FHC quase a mãe privatizou

Quem mesmo que comprou, mas não pagou?
Rouba, mas faz. Ninguém sabe, ninguém viu
O povo reclamou, mas reelegeu
Quem muito prometeu, mas não cumpriu

* 'Poema de sacanagem' foi selecionado para publicação, pelo X Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus, no livro 'Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus – 2013'. O livro foi lançado em 2014 no 28º Salão do Livro e da Imprensa de Genebra (Suíça) e na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo e pode ser comprado no site da PerSe Editora, na versão impressa e digital. O poema também foi publicado na Revista Pacheco.

** Uma versão ampliada do poema foi publicada ainda no livro Retalhos II, organizado por Aroldo Pinheiro.